Caos no aeroporto de Cabul paralisa as evacuações e retirada dos EUA gera críticas.

Depois que o Talibã tomou Cabul, capital do Afeganistão, uma grande quantidade de civis lotou o aeroporto, nesta segunda-feira (16), na ânsia de fugir da capital. Essa ocupação levou os militares norte-americanos a suspender as evacuações, enquanto os Estados Unidos recebiam duras críticas por terem retirado as tropas.

Milhares de cidadãos se dirigiam para o aeroporto em busca de fuga. Inclusive, muitos se agarraram a um avião militar dos EUA, enquanto taxiava na pista.

Multidão em busca de sair do Afeganistão.

De acordo com um oficial dos EUA, soldados norte-americanos dispararam para o ar para tentar afastar as pessoas que se colocavam a caminho de um voo militar, que retirava diplomatas e adidos norte-americanos.

Em meio ao caos, cinco pessoas foram mortas. Não se sabe se foram baleadas ou mortas em uma correria. Um porta voz do Pentágono afirmou que um soldado americano foi ferido.

O presidente norte americano, Joe Biden, enfrenta críticas de oponentes, aliados, legisladores democratas, ex-funcionários do governo e até mesmo de seus próprios diplomatas em relação ao modo como tratou a saída dos EUA desse conflito.

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A senadora republicana Lindsey Graham comentou: “Se o presidente Biden realmente não se arrepende de sua decisão de se retirar, então ele está desconectado da realidade quando se trata do Afeganistão”.

Já o deputado republicano Jim Banks disse: “Nunca vimos um líder americano abdicar de suas responsabilidades e liderança como Joe Biden. Ele está escondido. As luzes estão acesas na Casa Branca, mas ninguém está em casa. Onde está Joe Biden?”.

O presidente afegão, Ashraf Ghani, fugiu ontem, domingo (15), quando os militantes do Talibã invadiram Cabul. Ghani disse que queria evitar mais derramamento de sangue.

O porta voz do Pentágono, John Kirby, revelou que as forças americanas estão trabalhando com soldados turcas para liberar o aeroporto de Cabul e permitir a retomada dos voos internacionais de evacuação. De acordo com Kirby, aeronaves militares conseguiram decolar com centenas de pessoas.

Kirby afirmou que o secretário de defesa norte americano, Lloyd Austin, despachou outro batalhão para Cabul. Esse apoio elevou o número de soldados para 6.000.

O Talibã demorou pouco mais de uma semana para conseguir o controle do país.

Mohammad Naeem, porta voz do gabinete político do Talibã, disse que o Talibã quer relações internacionais pacíficas. Promete respeitar os direitos das mulheres e proteger tanto estrangeiros quanto afegãos.

Apesar disso, muitos afegãos temem que o Talibã retome práticas antigas em que mulheres não podiam trabalhar e apedrejamentos, chicotadas e enforcamentos eram utilizados como punições para subversões diversas.

Um ex-funcionário do governo teme que o Talibã ponha um “alvo” nas costas de cada afegão. “Todos estão preocupados. É por isso que as pessoas estão desesperadas para fugir”, disse ele.

Fonte: Reuters

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