Trezenário de São Boaventura, padroeiro de Canavieiras, começa hoje com mega carreata pelas ruas da cidade.

Saiba porque São Boaventura é o nosso padroeiro e como tudo começou.

Por: Eunice Castro*

A FUNDAÇÃO DA FREGUESIA DE SÃO BOAVENTURA DO POXIM

A Freguesia de São Boaventura do Poxim, foi criada em 1718, por Dom Sebastião Monteiro da Vide, Arcebispo de São Salvador da Bahia, como era chamada a capital baiana naquela época.

Na localidade chamada Poxim, começou o povoamento de Canavieiras, com uns poucos moradores, que já encontraram naquela lugar, índios tapuias. Os colonos ergueram, ali, uma pequena capela em honra à São Boaventura (Giovani de Fidanza, franciscano italiano). Sendo que o primeiro vigário, foi o padre Roberto de Brito Gramacho. Os colonos viveram no Poxim, por cerca de 40 anos, quando resolveram se mudar para a foz do Rio Pardo, local onde se encontra, hoje, a sede da cidade de Canavieiras. Ainda hoje, no Poxim, existe uma pequena capela em homenagem ao santo padroeiro de Canavieiras.

Em 1833, Canavieiras, então, com mais de 2000 habitantes, foi elevada à categoria de vila (Imperial Vila de Canavieiras). Em 1891, Canavieiras foi emancipada, ganhando foros de cidade, com Missa Solene celebrada pelo Padre Francisco Fernandes Badaró, na antiga matriz que havia na Praça da Bandeira, depois demolida para a construção da nova matriz, que teve início em 1912 e foi inaugurada em 1932. O Padre Justino José de Santana foi um dos grandes baluartes da construção da nova Igreja Matriz de São Boaventura.

OS 300 ANOS DA PARÓQUIA DE SÃO BOAVENTURA

Em 2018, a Paróquia de São Boaventura completou 300 anos de fundação, sob o comando do Padre Euvaldo Santana. Os festejos alusivos aos 300 anos da Paróquia, se estenderam por três anos, de 2015 a 2018, com uma vasta programação.                O Ano Jubilar Paroquial, foi o ponto especial das comemorações, com a realização do II Congresso Eucarístico Paroquial. Além do Padre Euvaldo Santana, participaram dos festejos alusivos aos 300 Anos da Paróquia, os Bispos Dom Carlos Alberto dos Santos (Diocese de Itabuna), Dom Mauro Montagnoli (Diocese de Ilhéus), Dom José Edson Santana Oliveira (Diocese de Teixeira de Freitas), Dom Czeslau Stanula (Bispo Emérito  da Diocese de Itabuna) e diversos padres, vindos de outras cidades, freiras, autoridades e a comunidade em geral.

A CASA CANÔNICA

Em 1951, com a vinda do Padre Augustinho, foi intensificado o desejo de se construir uma casa para servir de residência oficial e permanente para o padre. Foram realizadas diversas campanhas beneficentes. Com essas e outras arrecadações, a casa canônica começou a ser construída em 1951, ao lado da Igreja Matriz. A inauguração da Casa Canônica em 1952, pelo Bispo da Diocese de Ilhéus, Dom Benedito Zorzi.

O SALÃO PAROQUIAL

Com a chegada do Padre Aurino Siste (1974/1975), a ideia de construir o Salão Paroquial ganhou força. Suas obras tiveram início em maio de 1974, com várias campanhas beneficentes. As obras continuaram com o Padre Ângelo Agazzi (1975/1977). O Salão Paroquial foi concluído pelo Padre Ivan Moraes Ramos (1977/1989), em agosto de 1981.

A PUXADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO

A Puxada do Mastro de São Sebastião, se originou da promessa de um senhor, que foi curado de enfermidade, após sua filha ter sonhado com um homem, amarrado ao tronco de uma árvore, o qual a mandou fazer uma espécie de chá e banho com folhas de aroeira, almesca, dentre outras. Por coincidência ou não, o enfermo ficou curado em poucos dias, e saiu a carregar um tronco de madeira, pelas ruas da cidade, fincando-o na Praça da Capelinha, na porta da Igreja da Sagrada Família. Passava-se o dia 11 de janeiro. No ano seguinte, ele repetiu aquela cena, e mais pessoas o seguiram a carregar um tronco de madeira, e assim faziam, a cada 11 de janeiro. Entre essas pessoas, estava Domingos José da Silva, caseiro do sítio do Dr. Edmundo Lopes de Castro, médico e prefeito de Canavieiras entre 1963 e 1967. Em 1947, o Velho Domingos, como era conhecido, convidou o jovem Trajano Costa Barbosa para ajudá-lo a organizar aquela tradição.          A Puxada do Mastro, ao longo dos anos, tornou-se uma festa profana, razão pela qual, com a chegada do Padre Telmo Soares Pinto, em 2005 e a construção da Igreja de São Sebastião, a parte religiosa da festa em homenagem ao Santo, migrou para o Bairro São Sebastião, continuando na Praça da Capelinha, somente a festa popular.

A LAVAGEM DA IGREJA DE SÃO BOAVENTURA

Até a metade da década de 1970, pessoas da comunidade, principalmente as senhoras do Apostolado da Oração, costumavam lavar o interior da Igreja Matriz, preparando-a para o dia 14 de julho, dia dedicado a São Boaventura. Tempos depois, com a participação do Poder Público, a Lavagem se tornou um evento popular, e passou a se realizar somente nas escadarias da igreja. Tornou-se um grandioso evento, com direito a cortejo de baianas, grupos folclóricos e trios elétricos, que atraem uma multidão de nativos e turistas.

* Eunice Castro é Maestrinha, musicista e fundadora da Banda Dona Preta, membro e co-fundadora da ALAC (Academia de Letras e Artes de Canavieiras), Escritora, Escrevia fatos da história canavieirense para o cinquentenário Jornal Tabu e Fundadora da Casa de Cultura Dona Preta.

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